Arquitetura hospitalar em Portugal nos alvores da Modernidade:
identificação, caraterização e contextualização

Projeto

Calendarização: 1 de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2021

 

Breve descrição

“HOSPITALIS – Arquitetura hospitalar em Portugal nos alvores da Modernidade: identificação, caraterização e contextualização” (PTDC/ART-HIS/30808/2017) é um projeto de investigação que pretende estudar de forma global e sistemática o fenómeno da arquitetura hospitalar portuguesa, de finais do séculos XV a meados do século XVI, e propor formas de difusão e valorização desta tipologia patrimonial.

Os hospitais pela rede que constituíram pelo papel social que desempenharam na sociedade de alvores da Modernidade e ainda pela particularidade arquitetónica de aliarem à componente estética uma vertente fortemente funcional, são um objeto de estudo muito relevante.

Todavia, o tema da arquitetura hospitalar portuguesa medieval e moderna encontra-se praticamente inédito no contexto da historiografia da arte portuguesa, por isso a necessidade de o estudar o número de exemplares existentes e subsistentes, das suas características arquitetónico-artísticas, mecenas e mestres/arquitetos, e relação com outras tipologias arquitectónicas.

 

Apresentação

O projeto “HOSPITALIS – Arquitetura hospitalar em Portugal nos alvores da Modernidade: identificação, caraterização e contextualização” (PTDC/ART-HIS/30808/2017) pretende estudar de forma global e sistemática o fenómeno da arquitetura hospitalar edificada em território português na transição da Idade Média para a Idade Moderna (entre os séculos XV e XVI) e constituir-se como uma metodologia de valorização patrimonial que integra diferentes etapas: inventário, caracterização, análise, virtualização, contextualização, difusão.

O tema da arquitetura hospitalar portuguesa encontra-se praticamente inexplorado e totalmente inédito para o período cronológico que o projeto propõe abordar; período fundamental para a compreensão da evolução da prática da saúde e da assistência. De igual modo, a abordagem sistemática e globalizante à problemática é igualmente inovadora, como ficará patente na revisão da literatura.

Desconhece-se o número ainda que aproximado destes edifícios, pois o simples levantamento está por fazer, no entanto, pensamos que constituiriam uma ampla rede, dispersa territorialmente, dada a enorme importância que as instituições hospitalares detinham no contextos das sociedades medievais e pré-modernas. Como tal, e porque aliam uma forte componente funcional à arquitectónico-artística, revelam-se obras muito interessantes de estudar; os vestígios arquitectónicos, atualmente existentes, devem rondar a três dezenas e são representativos das principais correntes estéticas da época e das dinâmicas artísticas locais. A par destes, existe um outro conjunto de edifícios que, por circunstâncias várias, já não existe, mas relativamente aos quais dispomos de descrições que permitem fazer a sua reconstituição virtual e assim contribuir para a definição mais precisa do quadro da arquitetura hospitalar dos alvores da modernidade.

Partiremos de um levantamento exaustivo dos diferentes espaços com funções hospitalares, para procedermos à individualização dos edifícios que se assumiram como unidades arquitectónicas autónomas, de que existam evidências materiais e/ou documentais. Estes serão identificados e analisados individualmente, independentemente das instituições que os tutelam e/ou gerem, procurando a definição global das características arquitetónicas e artísticas deste tipologia arquitectónica, relacionando-as com critérios funcionais e estéticos, mas também com a evolução do conceito de assistência, do quotidiano administrativo e da prática da medicina e da enfermagem; tencionamos, igualmente, proceder ao seu enquadramento no contexto da arquitetura da saúde sul europeia.

Abordando a arquitetura hospitalar em Portugal como fenómeno total e multi-dimensional, procurar-se-á contribuir para o conhecimento e valorização da história da arquitetura e do património português, em relação com a realidade europeia, e possibilitar a sua afirmação como potencial recurso para a divulgação e valorização patrimonial e diversificação da oferta turística.

 

 

Objetivos gerais

Proporcionar um conhecimento rigoroso e aprofundado sobre o fenómeno da arquitetura hospitalar edificada em Portugal na transição da Idade Média para a Idade Moderna; conhecimento esse que possibilitará a integração desta realidade nacional num contexto europeu, de incidência mediterrânica.

Contribuir para a reflexão sobre a arquitetura dos hospitais portugueses numa perspectiva globalizante, partindo da caracterização do espaço hospitalar. para nos focarmos na análise e caracterização do hospital enquanto unidade arquitetónica autónoma.

Possibilitar a identificação e valorização dos bens patrimoniais de natureza assistencial, em geral, e hospitalar, em particular, existentes em Portugal; a produção conhecimento científico deverá servir de suporte a ações de conservação, valorização e divulgação dos conjuntos hospitalares que ainda subsistem, promovendo o seu usufruto público através da musealização ou da interpretação patrimonial.

 

Objetivos específicos

Identificação dos espaços com funções hospitalares existentes em Portugal entre os séculos XV e XVI, de modo a definir diferentes tipologias e a proceder à sua caracterização. 

Análise histórico-arquitectónica dos edifícios hospitalares, que se assumam como unidades arquitectónicas autónomas, de que existam evidências materiais e/ou documentais suscetíveis de análise: mapeamento, caracterização institucional, resenha histórica, caracterização funcional e estética.

Sistematização das características da arquitetura hospitalar portuguesa e enquadramento no âmbito das principais problemáticas que as determinam: funcionalidade, gosto, cultura arquitectónica, mecenatismo, história da medicina e da enfermagem, teoria e prática da assistência, culto e espiritualidade, administração e gestão, quotidiano e práticas sociais, identidade institucional.

Enquadrar a arquitetura hospitalar produzida em Portugal no contexto das suas congéneres europeias; procurando convergências e divergências de modo a definir formas identitárias da arquitetura portuguesa.

Elaboração de um corpus dos edifícios objeto de análise neste projeto, integrando elementos de carácter histórico-artístico, documentais, gráficos, iconográficos e cartográficos, incluindo reconstituições virtuais de base documental.

Promover a disseminação do conhecimento científico, nomeadamente disponibilizando digitalmente alguns dos produtos resultado deste projeto e concebendo materiais acessíveis ao público não especializado.

 

 

Investigadores

 

  • Ana Valéria Barro (Universidade Federal do Pará, Brasil)
  • Antoni Conejo da Pena (Universidad de Barcelona, Espanha)
  • Augusto Moutinho Borges (Universidade de Lisboa, Portugal)
  • Beatriz Lobato (Universidade Federal do Pará)
  • Bernardo d’Orey Manoel (Universidade Lusíada de Lisboa, Portugal)
  • Cybelle Salvador Miranda (Universidade Federal do Pará, Brasil)
  • Danielle Abdon (Temple University, EUA)
  • Fernando Villaseñor (Universidad de Cantabria, Espanha)
  • Lina Oliveira (Universidade de Lisboa, Portugal)
  • Patrícia Alho (Universidade de Lisboa, Portugal)
  • Pol Bridgewater Mateu (Universidad de Barcelona, Espanha)
  • Raúl Villagrasa (Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Espanha)
  • Renato Pistola (Universidade de Lisboa, Portugal)
  • Ricardo J. Nunes da Silva (Instituto Politécnico de Castelo Branco/Universidade de Lisboa, Portugal)
  • Vera Magalhães (Universidade de Coimbra, Portugal)

 

Consultores

  • Angela Madrid y Medina (CECEL – CSIC, Espanha)
  • Annemarie Kinzelbach (Technische Universität München, Alemanha)
  • Fabio Gabbrielli (Uiniversità di Siena, Itália)
  • Isabel dos Guimarães Sá (Universidade do Minho, Portugal)
  • Jaime E. Bortz (Universidad de Buenos Aires, Argentina)
  • John Henderson (Birkbeck – University of Lodon, Inglaterra)
  • Maria Antónia Lopes (Universidade de Coimbra, Portugal)
  • Renato Gama Rosa (Fiocruz, Brasil)
  • Ronaldo Marques de Carvalho (Universidade Federal do Pará, Brasil) 

Instituição de acolhimento

IECCPMA – Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes

Instituição associada

ARTIS – Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Instituições colaboradoras

CIDH – Cátedra Infante D. Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (Universidade Aberta, Portugal)

CITAD – Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design (Universidade Lusíada de Lisboa, Portugal)

CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (Universidade de Lisboa, Portugal)

LAMEMO – Laboratório de Memória e Património Cultural (Universidade Federal do Pará, Brasil)

Red Temática de Investigación Cooperativa sobre el Arte Tardogótico 

Recursos

Atividades

Financiamento

Fundação para a Ciência e a Tecnologia (PTDC/ART-HIS/30808/2017)